Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

sábado, 20 de maio de 2017

A DISTORÇÃO DA MORAL

O que é um relativismo moral.
Alguém justifica o escandaloso esquema perpetrado pelo Lulopetismo dizendo que em outros governos também houve corrupção, ilustrando inclusive governos de 40, 50, 100 anos atrás.
Ora, desde que o homem se organizou em sociedade e formou os primeiros Estados, há corrupção, alegar que outros foram corruptos é o mesmo que dizer que o sol é quente ou a água é molhada.
O que está em pauta não é o fato em si, mas sua moralidade. O PT sustentou seu nome com um discurso de superioridade moral, a figura do Lula carregava um ar mítico de alguém impoluto, o pobre que venceu. E o que aconteceu, ao assumirem o poder, foi o maior caso de corrupção da História moderna do Ocidente, de proporções pornográficas.
Então, comparar esse estupro da sociedade brasileira com qualquer outro caso na história do Brasil ou em qualquer país, é como comparar a Capela Sistina com um puxadinho do seu Zé Qualquer.

O NÃO-MORTO



As lendas de vampiros remontam à Grécia antiga. Durante a Idade Média, acreditava-se que uma pessoa ao morrer de forma abrupta e deixando pendências em vida ou se morresse por determinadas doenças (tuberculose, por exemplo) voltava do túmulo pra se alimentar do sangue de seus entes queridos.
Muito da mitologia de vampiros que temos hoje vem desses seres, porém, diferentemente dos sugadores de sangue atuais, essas criaturas eram decrépitas e fétidas. Em inglês há uma ótima palavra pra nomear esses monstros: UNDEAD - algo como não-morto, uma criatura que não é mais viva, mas também não está morta e diferentemente do zumbi, com consciência.
É nessa palavra, ou melhor, nessa criatura que ando pensando quando olho essas notícias políticas e tento vislumbrar uma cara pra Nova República. Esse governo, essa República que começou em 1985 é como um Undead, uma entidade que não é mais viva, mas ainda não morreu, seguindo decrépita a assombrar seus entes mais queridos (ou deveria ser): nós brasileiros.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sobre o áudio que compromete Temer

Irei poupa-los de uma introdução sobre o assunto pois acredito que seja algo que todos tenham conhecimento do que se trata.

Se você ouviu os áudios de "Joesley Safadão" e Temer e não entendeu exatamente qual a implicação ao presidente. Nós explicamos da forma mais didática que podemos.

Realmente o teor do áudio é bem menos ofensivo do que esperávamos, mas ali tem algo que é muito comprometedor e justifica, sim qualquer pedido de abertura de impeachment a Temer: PREVARICAÇÃO.

"crime cometido por funcionário público quando, indevidamente, este retarda ou deixa de praticar ato de ofício, ou pratica-o contra disposição legal expressa, visando satisfazer interesse pessoal".

Joesley fala ao Presidente da República que tem um procurador no seu bolso Temer simplesmente não esboça nenhuma reação - Supondo que qualquer um de nós fosse o presidente do pais e não temos rabo preso com ninguém - você ouve um cara que responde inquérito te dizer que tem um de seus subordinados (mesmo que não diretamente) na folha de pagamentos dele, o que faria? No minimo perguntaria quem é, para depois denuncia-lo.

Temer, até onde sabemos não fez nenhum pedido de investigação ao tal procurador, muito menos o denunciou. Isso além de o comprometer também é Prevaricação.

O presidente da república também é funcionário público, por mais romântico e inocente que isso possa lhe soar, ele é o CHEFE DO EXECUTIVO, ele TINHA que tomar uma atitude se não estivesse comprometido até os ossos carcomidos. Portanto temos um áudio que imputa uma omissão do presidente.

Lamentavelmente esse tipo de situação ocorreu anteriormente e partidários da presidente da época deram de ombros com esse tipo de acusação. Suponho que agora valha, certo? Resta saber se isso é o bastante para para o "impedir".

Por: MV Mesquita - Editor do Blog Shogunidades

quarta-feira, 26 de abril de 2017

NÓS – QUANDO O COLETIVO SUPERA O INDIVÍDUO


Por Kleryston Negreiros

Acabo de ler mais uma distopia simultaneamente à essa mobilização de greve geral marcada para dia 28 de abril. Com a massificação da manifestação sendo promovida pelos sindicatos, usando como justificativa a reforma da previdência (reforma essa defendida pela então presidenta Dilma e com um congresso que não mudou do seu mandato para cá) e com a adesão irrestrita da grande maioria dos professores, não consegui evitar uma analogia da obra com a mentalidade irreflexiva e repetidora de ideias que prejudicam a nós próprios, mas que não conseguem enxergar por já estarem imersos nessa ”lobotomização” ideológica.


Escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin, ex-bolchevique e crítico do regime soviético, a obra descreve uma sociedade do século XXX que abriu mão de sua liberdade em troca de igualdade. Nela, as pessoas não possuem nomes e são identificadas por números (os protagonistas são D-403 e a mulher que desperta o seu interesse desencadeando tudo, E-330), vivem em quartos com paredes de vidro transparentes aos olhos de todos, todos os horários e tarefas são definidos pelo Estado e até mesmo um simples passeio na rua é controlado com hora certa e como as pessoas devem andar.

É nesse ambiente que D-403 se vê envolvido num levante rebelde ao se apaixonar pela misteriosa e envolvente E-330. Ao se perceber apaixonado pela jovem e não sabendo lidar com algo fora da racionalidade, ele começa a entrar em conflito consigo mesmo pois acredita cegamente no discurso do Grande Benfeitor e no Estado Único, que proporcionou essa felicidade simples ao tirar todas as liberdades individuais. O livro como um todo tem muitos traços com obras como 1984, Admirável Mundo Novo e Cântico (o primeiro e o último forte e oficialmente influenciado pela obra).

Quando comecei a ler a obra fiquei com a ideia de falar justamente sobre a relação indivíduoXcoletivo, mas ao ver o comportamento de colegas essa semana e até a postura de escolas privadas – tão prejudicadas em suas rotinas por conta de uma carga de regras e tributações que faz com que seja um ato heroico manter uma escola – defendendo algo que tolhe suas liberdades, prejudica seus ganhos e ainda prejudica aqueles que mais precisam hoje: os alunos. Eles vendem a ideia de que lutam por aqueles a quem mais prejudicam.
Assim como as personagens da obra que em dado momento abrem mão até mesmo da sua racionalidade numa operação de lobotomia, a qual se submetem voluntariamente, os profissionais de ensino abrem mão de ganhos maiores, de melhor mercado de trabalho, de um mercado aberto com oportunidade a todos os que se dedicam verdadeiramente a ensinar, em troca de “benefícios” que estrangulam os salários, encolhem o mercado, criam um ambiente hostil para quem inicia a carreira e lutam para manter tudo que mais prejudica à categoria em particular e aos outros trabalhadores de modo geral.


E vão repetindo as falácias dos sindicatos, que intimidam aqueles que não se igualam ideologicamente, intimidam escolas com ameaças de processos trabalhistas. Vão atrapalhando a vida dos alunos que precisam adquirir conhecimento e são aliciados a abraçarem uma causa que não é sua e que vai prejudicá-los num futuro bem próximo e atrapalham os pais lhes causando danos até mesmo financeiros em alguns casos.

Na obra, o protagonista é submete forçosamente a passar pela cirurgia, muitos vão por conta própria. Assim é aqui no mundo real, na nossa distopia diária, aqueles que não apoiam esse tipo de extorsão são obrigados a aderir o por que a escola não funcionará ou por que o meio de transporte que usa adere. O segundo caso é o meu. São trabalhadores que ignoram a realidade, são pessoas com formação e que, em tese, são formadores de conhecimento, mas que ignoram algo básico: a realidade, e lutam por seus maiores algozes com um amor devocional de um acólito. Sim, meus caros, continuo a repetir que vivemos uma distopia, a mãe de todas elas e assim como as demais esse foi mais um alerta que se tornou profecia ou manual de conduta sombrio. Até a próxima.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

REVOLUÇÃO DOS BICHOS – QUANDO ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS


Por: Kleryston Negreiros

Uma frase marcou essas duas últimas semanas e foi dita por Emílio Odebrecht em sua delação premiada. Ele disse (parafraseando o General Golbery) que Lula era um bom vivant, que gostava do que é luxuoso e refinado. Fiquei com essa frase na cabeça e lembrei de mais uma obra de Orwell (tão premonitório), mais precisamente seu final: Revolução dos Bichos, inspiração do décimo álbum da banda Pink Floyd (Animals) e dessa semana na série Livros Para Ouvir.

Publicado em 1945, a obra é uma fábula de contornos políticos e que critica regimes totalitários em geral e duramente o de Stálin e o comunismo em particular. No livro, os porcos Napoleão e Bola de Neve – respectivamente Stálin e Trotsky – lideram os demais animais da fazenda onde vivem numa revolução que expulsa os humanos. Tendo sete diretrizes de teor igualitário (1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo; 2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo; 3. Nenhum animal usará roupas; 4. Nenhum animal dormirá em cama; 5. Nenhum animal beberá álcool; 6. Nenhum animal matará outro animal; 7. Todos os animais são iguais) no começo, com o passar do tempo, descamba para uma ditadura totalitária controlada por Napoleão – tendo, inclusive, ordenado a morte do Bola de Neve – e os demais porcos, seus aliados e mantendo os outros animais na mesma condição de miséria e dominação, num estado pior do que na época dos humanos enquanto eles passam a viver no luxo e conforto da sede da fazenda, descumprindo as próprias ordens.

No fim da narrativa, os porcos já estão negociando com os humanos, mudam as diretrizes para apenas uma (o título da coluna) e – como é percebido pelos outros animais – passam a andar em duas patas, vestir-se com as roupas dos humanos e a negociar com eles. A última cena do livro descreve a semelhança entre os porcos e humanos, não sendo possível diferenciá-los uns dos outros.


E foi nisso que pensei ao ouvir a fala do patriarca da empresa. Lula e o PT são os porcos da narrativa. Eles passaram trinta anos defendo a ética, alegando uma luta pelos trabalhadores e mais pobres, defendendo os interesses dos mais fracos contra os patrões, grandes vilões do país e responsáveis pela miséria do povo. Foram eles que se levantaram nos anos de 1970 para falar em nome de todos os operários e em nome de cada trabalhador desse país que lutava para sustentar suas famílias. E muitos acreditaram nele. Eu acreditei nele. Cresci vivendo o sonho do grande partido que lutava pelos mais pobres e sendo eu filho de retirantes aqui no Rio de Janeiro, fui seduzido por eles. Como eu, muitos acreditaram e lutaram por esse sonho. Nós, os crédulos, pobres sonhadores, aqueles que buscavam uma vida mais digna, éramos os animais da fazenda, a grande massa de manobra, os idiotas úteis (como diria o Velho Major, porco que inspirou Napoleão e baseado em Lênin).


E assim como os porcos, eles traíram aqueles que diziam defender. O mesmo que levantava a voz contra empresários e patrões sentava à mesa deles para se regalar com eles. Lula, o homem mais impoluto do Brasil, que se dizia o grande defensor dos trabalhadores, traía a todos desde sempre. Vendeu companheiros de luta que acreditaram nele, recebia uma mesada vultosa daqueles que jurara combater e com o passar dos anos, ficou cada vez mais difícil diferenciá-lo dos donos de empreiteiras, banqueiros ou megaempresários. Assim como Napoleão, foi capaz até de mandar matar aqueles que se puseram no caminho do seu projeto de poder. E como os porcos, ele hoje age como se seguisse o lema da fazenda: “Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”. Coloca-se acima da lei e sai por aí soltando bravatas e desafiando a justiça. A sua megalomania é paralela ao do personagem principal do romance de Orwell, sua gana por poder é incontrolável e diabólica e assim como os porcos do livro, é capaz de chafurdar na lama e na sarjeta para conseguir chegar onde quer.

Pink Floyd - Pigs (Three different Ones)


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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)